domingo, 4 de julho de 2010

Hopefully, you will meet a quiet dark stranger

Eu rumino demais, é um fato. Um fato que me faz acreditar que ainda esteja na neurose... ou seja um paquiderme. Ruminar é dolorido; e estou falando de dor física mesmo. Se vou pra cama sem sono, por exemplo, posso passear pelo último filme que vi no cinema, e ser algo até agradável a depender do filme, ou me remeter à contenda da partilha de brigadeiros no meu aniversário de 6 anos = suor e lágrimas, ontem e hoje.

Ontem, remontei a cena em que disse à minha mãe: "talvez seja melhor deixar que sua mãe morra". Contextualizando, minha avó estava muito doente e, se não me engano, internada em alguma ala de cuidado mais intensivo. Logo, tendo em vista o sofrimento que ela devia sentir e o fim inevitável daquela configuração, fazia sentido confortar uma filha, que, vale lembrar, é espírita desde muito antes da internação, com uma frase de efeito parecida com "ela não precisa sofrer mais" ou "ela vai encontrar um pouso mais confortável numa outra dimensão". Ok, a execução deixou a desejar... e foi assim que descobri que não se deve falar certas coisas, mesmo para uma espírita, sob o risco de me tornar o anticristo. Não recomendo.

Acho que a razão para voltar a esta cena foi justamente me deparar com a possibilidade de um pós-morte (ou -vida, whatever). Se já é difícil tolerar uma vida com prazo de validade, imagina ter de administrar uma continuação nesta ou noutra realidade? Ter de me preocupar com que nuvem escolher para tocar minha harpa ou em que quadrante do mármore do inferno minha carne vai arder? Quantos pensamentos mais poderiam advir de uma vida estendida ou de uma vida outra? Quantas noites mais virando na cama até pegar no sono? Não, minha morte tem de ser silenciosa, como um último favor que o destino pode me fazer.

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