Usar os elevadores daqui do prédio pode ser mesmo considerado uma Odisséia. A começar pela espera, que garantiria ler o texto de Homero, na edição comemorativa, com comentários e ilustrações de páginas inteiras. Quando não se desiste deles [dos dois elevadores] e se retoma a idéia de que seus compromissos fora de casa são tão importantes quanto os mesmos fazem você acreditar que sejam, tenha a certeza de que, na maioria das vezes, aquelas figuras mitológicas tornar-se-ão presentes durante toda a viagem.
Poderíamos falar também de ventinhos encanados, odores que não se busca identificar com exatidão, quadro de comunicados sobre as mil eleições de síndico em um só mês (tão útil, confesso, para evitar troca de olhares em algumas ocasiões), relógio marcando hora errada, além, é claro, do apitinho a informar que as portas estão prestes a fechar. O que importa descrever, no entanto, são as tais figuras.
Algumas viagens garantem o contato, de uma só vez, com ciclopes, gigantes, feiticeiras, divindades brincalhonas, fantasmas, ninfas e sereias (estas mais raras e, geralmente, arrogantes o suficiente para negligenciar sua principal e milenar motivação que é a de seduzir os homens até o fundo do mar para devorar-lhes a carne... onde ficam as tradições, meu Deus?).
Cair na rotina é um risco que elas correm, é bem verdade: quando você menos se dá conta, já comprou óculos escuros, fones de ouvido e outros recursos para criar um universo só seu, repelindo as exigências do convívio social. Pronto, o que saltava aos cinco sentidos, agora é fundo enquanto você simula uma ligação ao celular! Acabam ficando no mesmo patamar de ter João Henrique de prefeito ou ser assaltado com imagens felizes da vida conjugal de Tom e Katie Cruise (desconsiderem a qualidade da imagem, por favor. Ah, tem esse também): o fato vale tanto quanto guaraná morno.
Ainda assim, dá pra se mobilizar diante de alguns casos. Tomemos como exemplo a vez em que me deparei com uma criatura de cabelo de fogo e baixa estatura, pele escamosa, quatro ouvidos e 10 olhos, dentes grandes e pontudos, então, síndica do condomínio. A pobre conduzia seus dois cachorros num carrinho de bebê e não queria que ninguém percebesse: “hehe, não vá ficar pensando que eu só louca, hein?”.
“Não respire, pois esse tipo de criatura reage ao menor movimento. Logo, ela vai te confundir com a parede”, foi o que disse a mim mesmo. Mas ela prosseguiu: “É que cachorro não pode andar no elevador ou no hall ou no play ou na garagem, decretos meus, é claro. Como não agüento levar os dois no braço, achei essa solução”. Mais risadinhas...
Bom, que nível -1 de sanidade mental é pré-requisito para o cargo de síndico, todo mundo já sabe. Tinha de escancarar e vender como estilo de vida?
Preciso aprender a me servir da escada.
você devia morar num prédio antigo do lado sujo da rua augusta _o/
ResponderExcluiria se divertir bem mais, tipo como quando alguém te pergunta seu nome no elevador e no outro dia manda o porteiro te entregar um vaso com lírios, esperando (?) que você vá lembrar da sua fisionomia para agradecer (com sexo???). em minha defesa, eu NÃO TINHA COMO LEMBRAR DA CARA DO SUJEITO! como você acabou de ilustrar, a gente simplesmente não respira, não olha, não fala em elevadores...
mas ok, é divertido.
=*
alguém que precisa de nomes dentro de um elevador, sem sombra de dúvidas, está desesperado (e desesperando) por sexo. jogue um "oxe, se feche" e passe a andar com um spray de pimenta na bolsa.
ResponderExcluirAUHAUHAUAHUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUH
ResponderExcluirUHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAU
UAHUAHAUHAUHAUHAUHAUAHAUHAUHAUHAUHA
já disse que eu te amo hoje?
Nossa sociedade, realmente, anda quebrando padroes... Já nem sei o que esperar mais, é cachorro em carrinnho de bebê e maes de bonecos passeando por shoppings... rs
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