Estou jogando Sudoku (se é que isso se joga). Não que saiba muito bem o que esteja fazendo: primeiro que a fala egocêntrica voltou com tudo; depois, a demora em resolver os problemas deve ser uma ofensa aos padrões japoneses [e eles nem podem ficar muito contrariados, já que não o inventaram (NÃO FORAM ELES! Uma revelação na minha vida. Pelo menos, é o que está escrito na historinha contida no coquetel que comprei na banca)]. Mas, a expectativa é de que, sabendo, me torne uma pessoa mais "lógica", fazendo de Lacan algo mais simples e divertido.
Algo como ligar a TV pela manhã e assistir à “Peau d’âne” pela milésima vez no Telecine Cult: nada mais eficaz para manter sua atenção de forma animada do que tentar entender o porquê de, para representar o reino azul, metade do elenco de apoio* não só vestir azul, mas ter as partes descobertas do corpo pintadas de azul. Ou então, ouvir a fada lilás aconselhando a princesa, desesperada com o pedido de casamento do pai, a não chorar, a fim de evitar marcas profundas no rosto: mais les fées ont toujours raison!
Tá, preciso parar de reclamar, ainda que seja ótimo e uma das maiores invenções da humanidade - ao lado do sudoku, do sorvete, da direção hidráulica e de alguns outros! Já deu pra sacar que divertimento (ou "volúpia no aborrecimento"*² ou gozo mesmo) não provoca mudanças subjetivas nem produz novos saberes e, nesse quesito, Lacan faz todo o sentido... mas, continuo achando que não custava pintar cada seminário de uma cor...
* ah, eis o motivo.
*² disseram-me que era de Machado
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