sábado, 21 de fevereiro de 2009

É isso aí

No mês em que ocorre a cerimônia do Oscar, você não diz que os filmes que disputam as principais categorias vão estrear e depois bota a grade da programação pra descer até o chão com o dedinho na cabeça. Da mesma forma, na semana que antecede a entrega dos prêmios, você não dá a preferência de estréia pra “A Pantera Cor de Rosa 2” ou “Um Hotel Bom pra Cachorro” a menos que se anuncie, logo em seguida, se tratar de uma pegadinha do malandro.
Vá lá que as criaturas que habitam as profundezas vão assistir a “The Wrestler” achando que é um documentário-registro dalgum campeonato de luta livre internacional e saem no meio da exibição (nem os peitos de Marisa Tomei os seguram). E também que eles ficam loucos pra ver “Revolutionary Road” só porque é aquele filme que reúne novamente Kate Winslet (ou WISNET, como ouvi ontem*) e Leonardo di Caprio: chegando lá, dão umas risadinhas com o louco que fala sem pudores e viram pro lado, a fim de dormir. É certo que eles ficam interessados em ver “o ensaio DA cegueira”, ainda que não exista placa nenhuma indicando o barracão de samba onde a cegueira costuma ensaiar. Tudo bem que este filme compôs outra competição, mas isso não é desculpa pra não saber ler.
No entanto, não é porque o público de Salvador é de natureza duvidosa (e não estou falando apenas de cinema comercial. Quem também freqüenta as salas de arte são madames que querem passar uma imagem Cult, dizendo pras colegas que assistiram ao filme indicado pela veja) que quem considera cinema mais do que um momento de lazer precisa aturar certas coisas. Terei de sugerir fones de ouvido para as próximas exibições, a fim de tornar mais tolerável a presença da plebe rude.


*como ouvi ontem: fui feliz assistir a Slumdog e sentei na cadeira à frente de uma tiazona que argumentava: “ - Menina, mas Kate WISNET está perfeita em ‘O Leitor’”. Juro!

Um comentário:

  1. Ai meu Deus, Theu. Salvo as diferenças físico-espaciais, isso me lembrou uma festa que fui aí em Salvador onde um fulano ao meu lado cantava: "tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha, tô ficando atoladinha... calma, calma PULGUENTINHA". Enfim, os [in]cultos estao em todos os espaços culturais. rs

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