sábado, 30 de janeiro de 2010

porque não tenho o que fazer

cá estou caçando argumentos para convencer às mentes tacanhas de um plano de saúde qualquer de que, uma vez graduado em psicologia, posso atender quem bater à minha porta: crianças, adultos; neuróticos, psicóticos, com um pouco de sorte, perversos; inclusive, mentes tacanhas de planos de saúde. nota: só querem autorizar atendimentos para adultos, muito embora tenha esclarecido meu interesse por não restringir minha clientela.
tão desnecessariamente embaraçoso quanto Ryan Seacrest dizer à Marillon Cotillard, in a goofy way, que ela sabe pronunciar Christian Dior melhor do que os americanos. Posso ter entendido errado, mas pareceu a mais mal-executada tentativa de encerrar uma entrevista com uma piadinha improvisada dos últimos tempos. Aconteceu na cobertura do tapete vermelho do globo de ouro deste ano
são os tempos de hoje: um arremedo de entertainer, um arremedo de plano de saúde...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

A mesma ladainha

O Procurado conta a história de Wesley Gibson, gerente de contas que, da noite pro dia, passa de “o babaca mais insignificante do século XXI” (é como aparece na legenda) a “assassino mais promissor de uma fraternidade milenar de tecelões/grupo de extermínio”. Tá, coisas de HQs cujas adaptações rendem dinheiro aos estúdios. Nada contra, a propósito.

Há uma cena do filme à qual tenho retornado neste momento em que me encontro. Ela se estende e se repete por um bom tempo e retrata o ingresso sofrido de Wesley na tal sociedade – algo muito longe do que ele poderia esperar, já que teve seu talento reconhecido de pronto e recebeu convite formal pra fazer parte da galera.

Depois de se render à proposta – animado pelo poder, sim, pela possibilidade de quebrar a rotina à qual sua vida ficou reduzida, ok, mas, principalmente, pela chance de dar uns guenta na personagem de Angelina Jolie – ele estranha por ter de apanhar todos os dias como parte de seu treinamento (o objetivo era outro, porém, defendo a teoria de que, mesmo a maternidade tendo suavizado Angelina, é bom dar uma calejada antes de partir pra cima).

O apelo dessa passagem está no derramamento de sangue e na aparente falta de motivo com que se apanha; na solicitude com que se se permite apanhar a troco de encontrar sentido no final das contas e deixar de se perceber um merda. No filme, funciona: eventualmente, Wesley acaba “acertando” a resposta que os socos perguntavam, completando uma etapa do plano de seus algozes/novos melhores amigos, que esperavam a emergência de um sujeito e, numa mesma cajadada, de sua causa; de uma pergunta, que o movesse de forma tão profunda que evitasse questionamentos e mascarasse a manipulação.

O cinema pode provocar esse efeito (aguarda-se que escrever um blog também); uma análise pode estimulá-lo (esqueçam a manipulação); uma orientação de monografia para pós-graduação, ô, pode promovê-lo... acontece que a dor pode ser maior do que na pancadaria. A gente chega todo feliz com o que já conseguiu ver/dizer/produzir e, bam, aparece um novo argumento e, quando dá tempo, você se vê cuspindo um dente, quase sem reservas de dignidade.

Pelo andar da carruagem, o desfecho do "meu momento" não se afasta muito da resposta de Wesley: “Não sei quem eu sou!”. A diferença é que isso ainda não revelou uma causa... e la Jolie não me é tão disponível.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

A gente não serve latte, mas se quiser latté, eu trago



Ontem fui ao Fran’s da Graça, inaugurar a nova franquia (as outras já estão cobertas) e tomar um café prometido há semanas. Acabei tomando chocolate gelado acompanhado de torradas, achando que café poderia atrapalhar a dinâmica do meu sono – how old am I? 60? Isso é preocupação que se tenha? Francamente, era pouco mais de 20h... quem quiser, fique à vontade para continuar a seqüência de admoestação...
A propósito, custava chocolate “de boutique” não ter cara de chocolate “de casa”? Porque, né, misturar Nescau e leite eu posso fazer e nem por isso vou colocar letreiro luminoso na porta e cobrar de quem me pedir um copo. Bom, talvez o valor do material. Já imaginou um Maths’ café ou um chez Mathieu? You better watch your back, Fran(cine)'s!
Retomando o fio, lá pela metade do copo e no meio de uma tentativa de fazer piada com pequenos acontecimentos familiares, uma fulana da mesa ao lado, intermediada pela querida garçonete que fez questão de marcar que não se trata de latte, mas de latté, perguntou se meus óculos eram pra perto pra que ela pudesse ler o cardápio.
Desculpa, dá pra repetir?? Não, meu bem, são pra longe, pra bem longe de você. Problema de vista agora é justificativa para ficar/habitar n/aquela linha em que não se consegue distinguir falta de senso de falta de educação?

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pereainda, eles eram irmãos?

Lançam um filme sobre incesto entre irmãos do mesmo sexo. Daí, começam a dizer: “Nossa, que coragem!”; “Que tema delicado!”; “O que leva alguém a escrever sobre isso?”; “Pano pra manga pra análise”. Daí, você vai ver o filme, já se preparando pra ficar uma semana sem olhar pra cara dos seus irmãos, e o filme mal menciona o incesto. Por sinal, mal menciona qualquer outra coisa. As únicas pessoas que percebem o que está rolando morrem antes mesmo de o “pecado“ comer no centro e todo mundo vive feliz para sempre em negação. Pronto, ficamos com a história de um casal homossexual comum e sem objetivos... “que bosta!”.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

1, 2, 3 e Já!

"Infância" ou "Subjetividade e Trabalho"?

Serve qualquer uma das duas, desde que a partir de um ponto consistente e inovador... Na verdade, até mesmo qualquer outra coisa, desde que alguma coisa.

Configura-se um dos momentos da vi-da em que precisarei ver a luz no fim do túnel.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Get Behind Me Satan



[Generosidade]

Para o Houaiss: substantivo feminino
2. virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem; magnanimidade.

Para Lars von Trier em “Antichrist”: capacidade de oferecer closes impraticáveis de cada penetração, pancada, mutilação, hemorragia, entre outros, que alguém pode infligir a si mesmo ou a outrem sob efeito de um supereu demoníaco... Se gozo não tinha cara, agora aparece em câmera lenta, belissimamente filmado, algumas vezes em preto e branco, outras tantas, enevoado, acompanhado de Händel, “na cena quatro da ópera Lascia ch´io pianga”, e coordenado pelo careless whisper de Charlotte Gainsbourg. Resultado: complexo de castração mais do que nunca operante e desafiando o controle num sonho sobre assalto e morte.

domingo, 27 de setembro de 2009

Crentes para o jantar

Acordei no modo malévola on. Vou invadir festas, descer o sobrenatural e rogar pragas (principalmente em gente que se aposta como salvação da humanidade).